Florianópolis - SC
Florianópolis - SC

Capital Florianópolis - SC                             
Area (Km²)   95 346,181
Números de Municípios 293
População estimada em 2010       6,248,436

 

 
Biguaçu 1 - SC Biguaçu 2 - SC Biguaçu 3 - SC Biguaçu 3 - SC

Biguaçu - SC

Biguaçu - SC                                               Santa Catarina - SC                                  
População 58.238
Biguaçu é um município brasileiro do estado de Santa Catarina.

Divisa a oeste com o município de Antônio Carlos, a leste com o oceano Atlântico (Baia Norte da Ilha de Santa Catarina, onde se localiza a capital do estado, Florianópolis) e também com o município de Governador Celso Ramos. Divisa ao norte com Tijucas e Canelinha e ao sul com o município de São José.

Situado entre os dois maiores portos catarinenses, Itajaí e Imbituba, e próximo da capital Florianópolis, Biguaçu tem saída para o mar, sem contar na facilidade de acesso, já que a BR-101 duplicada corta o município, e a BR-282, que liga a capital catarinense ao interior do estado, fica a apenas 12 km de distância, por via duplicada e de fácil acesso.

Possui uma área de 324,5 km².

História

É um dos municípios mais antigos de Santa Catarina, sendo sua origem a Vila de São Miguel da Terra Firme, a criação da Póvoa de São Miguel, nos termos da Provisão de 9 de agosto de 1747, com a chegada dos primeiros açorianos. Iniciaram-se logo os trabalhos de construção da igreja matriz, feita de pau-a-pique e coberta de telhas, que foi dedicada a São Miguel Arcanjo. Achava-se edificada no mesmo lugar onde hoje ainda se encontra a centenária igreja. Em 17 de maio de 1833 torna-se município desmembrando-se da então sede da Capitania de Santa Catarina, Nossa Senhora do Desterro. Em 1886 a sede do município sai da vila de São Miguel e vai para a sede atual, às margens do Rio Biguaçu. Em 1910 o nome é mudado para Biguaçu.

Durante alguns meses no final do século XVIII, a 31 de maio de 1778, foi capital da província de Santa Catarina, quando da invasão espanhola à ilha de Santa Catarina e sua capital, Desterro (atual Florianópolis).

Quando da sua fundação em 1833 o território compreendia do atual Rio Carolina, divisa com São José ao Rio Camboriú, atual município de Balneário Camboriú, chegando aos limites da Serra Geral. A onda de desmembramentos para a fundação de novos municípios termina somente na década de 1960, com o desmembramento da região do Alto Biguaçu, atual município de Antônio Carlos e as antigas freguesias de Ganchos e Armação da Piedade, unidas no município de Governador Celso Ramos.


A Origem do Nome Biguaçu e mistérios sobre os primórdios do município

O verdadeiro significado do nome "Biguaçu" não é "Biguá Grande", mas "Grande Cerca de Paus" ou " Cerca Grande". A prova encontra-se no primeiro registro de terras da região, datado de 1753. Aqui um resumo da pesquisa empreendida em 1998 que decifrou a origem do nome, perdida ao longo dos séculos.

1) GUAMBÝGOASU- Era o nome original da região conhecida por "Biguaçu" no século XVIII. Significa " Grande Cerca de Paus" ou " Cerca Grande" na língua indígena guarani. Os índios mais antigos do litoral catarinense, os carijós, exterminados pelos bandeirantes ao longo dos anos 1500 e 1600, falavam um dialeto do guarani.

2) EMBIGOASU- É como está escrito no primeiro registro de terras na região que hoje faz parte do município de Biguaçu. O registro é de 1753. O "GUAMBÝ" tendeu a ser pronunciado pelo povo como " EMBI". Em outros estados, tornou-se "EMBU" (SP), "EMBO" (PR) e "IMBI" (RS). Daí "GUAMBÝ" + "GOASU" virou " EMBI+ GOASU".

3) "BIGOASU=BIGUÁ+ AÇÚ" (Biguá Grande") - Tendendo o povo a não pronunciar o "EM" inicial, a palavra "Embigoasu" ficou reduzida para "BIGOASÚ" (`Biguaçu como é escrito hoje). Ora, ficou parecida como " Biguá+ Açú", que passou a ser traduzido como " BIGUÁ GRANDE". POR COINCIDÊNCIA, existe um pássaro chamado BIGUÁ e, MAIS COINCIDÊNCIA AINDA, há muitos desses pássaros, inclusive ainda hoje, no rio que deu nome à cidade, hoje sede do município de "Biguaçu". No entanto, a tradução do nome como " Biguá Grande", tal como ficou conhecido pelo foi, foi UM GRANDE ENGANO que se perpetuou ao longo dos últimos dois séculos.

4) "BIGUAÇU" NÃO É "BIGUÁ GRANDE"- Em 1988, o historiador nascido em Antônio Carlos (SC), padre Raulino Reitz (1919-1990), publicou seu livro "Alto Biguaçu". Nesta obra, Reitz comprovou que "Biguaçu" não significa "Biguá Grande". Como comprovou sua tese? Simples. Existe uma espécie de dicionário como o nome de todos os animais existentes na fauna do Brasil. Neste livrão, consta o pássaro "Biguá". Mas é só isso; mais nada. Não consta nenhum " BiguAÇU" e muito menos " BiguaMIRIM". Portanto, "BiguAÇU" é um pássaro que não existe, conforme comprovou Reitz. Apesar de sua descoberta comprovada cientificamente, a secretaria municipal de educação de Biguaçu ainda persistem, em seus manuais, a apresentar a versão "Biguá Grande".

5) A VERSÃO DE QUE "BIGUAÇU" VEM DE UMA ÁRVORE- Raulino Reitz comprovou que "Biguaçu" não é " Biguá Grande", uma ave que não existe. Existe uma árvore que o povo conhece pelo nome de "Baguaçu". Há outros que chamam a árvore de "biguaçu". Padre Raulino defendeu a tese que "Biguaçu" vem da árvore. SÓ QUE ELE ENTROU EM OUTRO ENGANO. Afinal, a teoria de Reitz que "Biguaçu" é uma árvore não se sustenta. Primeiro porque ele não apresentou qualquer documento provando essa teoria. Segundo, plantar árvores biguaçu, vindas da Ásia, não tem lógica por sua falta de valor comercial. E se a árvore é asiática, só poderia aparecer em São Miguel se fossem trazidas pelos colonizadores europeus. Por que, então, a região era chamada de "Embigoasú"? Ora, esse era o nome do rio, conforme o citado registro de terra de 1753.

6) BIGUAÇU- Cerca Grande- O argumento comprovado cientificamente, conforme atesta o maior especialista de línguas indígenas, Prof. Dr. Aryon Dall´Igna Rodrigues, consultado pelo jornalista Ozias Alves Jr, na pesquisa em que decifrou a verdadeira origem do nome "Biguaçu".

7) EVOLUÇÃO DA PALAVRA: GUAMBÝGOASU- EMBIGOASU- BIGUASSÚ- BIGUAÇU.

8) O NOME “BIGUAÇU”, que significa “Cerca Grande”, certamente vem do fato que os colonizadores portugueses tinham o costume de cercar as plantações. A observação é do filósofo e historiador Evaldo Pauli, 80. Nascido em Antônio Carlos, Evaldo, professor aposentado da UFSC residente em Florianópolis, publicou o livro “A Fundação de Florianópolis” (1973), uma obra sobre a colonização do litoral catarinense no século XVI, antes mesmo da chegada dos açorianos, entre 1748 a 1756. É costume dizer que a história de Biguaçu começou em 1748 (ou 1750, conforme alguns outros historiadores) com a chegada dos colonizadores açorianos. Não é verdade, observa Evaldo. Antes mesmo da chegada dos açorianos, há havia gente em Biguaçu. O problema é que não há documentação sobre isso; apenas indícios de entrelinhas de raros manuscritos antigos. Para não embaralhar a cabeça do leitor leigo. Por volta de três mil portugueses vindos do arquipélago dos Açores (daí o nome açoriano) chegaram a Santa Catarina entre 1748 a 1756. Quando eles chegaram aqui, já havia em Santa Catarina três mil habitantes (número aproximado). Quem eram eles? Eram descendentes de portugueses misturados com índios, os chamados “Bandeirantes”. De onde vieram? De São Paulo. Chegaram no litoral catarinense para “caçar” índios carijós, primitivos habitantes de Santa Catarina, que eram levados como escravos nas plantações de cana de açúcar de São Vicente e outras partes de São Paulo. Pauli salienta que havia também carijós que desejavam ir a São Paulo. Ele cita o caso do índio Tobanharô (cujo nome acabou sendo aportuguesado para “Tubarão”, origem do nome da famosa cidade do sul de Santa Catarina). “Quando voltou para o sul de Santa Catarina no século XVII, Tobanharô conheceu São Paulo. Lá havia comida. Os carijós eram índios da idade da pedra. Não tinham machados de metal. Passavam fome. Comiam baratas, aranhas, aves e mal e mal sabiam pescar porque não tinham anzol”, comenta Evaldo.

Biguaçu Segundo o intelectual, a colonização de Florianópolis deu-se pelo continente fronteiriço. Isto é, os primeiros “vicentistas” (como eram chamados os bandeirantes de São Paulo que chegaram a Santa Catarina nos séculos XVI e XVII, grande parte de São Vicente- daí o nome ‘vicentistas’) povoaram a região entre o que hoje é São José até Biguaçu. “ Havia um trânsito por terra para a fortaleza de Anhatomirim (da ilha encostada a Governador Celso Ramos). Portanto, em Biguaçu já havia gente antes da chegada dos açorianos”, observa Evaldo. Quem eram? Onde moravam? Os nomes dos “primeiros” biguaçuenses constam nos livros de batizados da Igreja Católica. Há o do período 1714-1728. Entre os nomes que constam ali, certamente há os de Biguaçu, mas não havia, segundo Evaldo, anotações mais específicas sobre a geografia. Toda a região de Florianópolis, Biguaçu, São José e ainda era tudo “Desterro”. “Infelizmente é tudo vago”, observa.

Detalhes Quando surgiu São Miguel? Não se sabe direito. “ Era hábito de se dar o nome da igreja ao santo do dia da chegada. É muito provável que os açorianos tenham chegado a São Miguel no dia do ‘Arcanjo São Miguel’. Certamente isso aconteceu em São José, cujo dia da chegada dos açorianos também não se sabe”, explica Evaldo. “São Miguel foi escolhido porque na época valia a frente para o mar e não entrada de rio. São Miguel destaca-se porque é frente de mar. O rio Itajaí, o maior rio atlântico de Santa Catarina, nem era citado nos documentos da época”, observa. “ Os açorianos foram trazidos para reforçar os lugares onde já havia população”, salienta Pauli. Ou seja, em São Miguel já havia gente vivendo na região antes da chegada dos açorianos em 1748/1750. O problema é a falta de documentos. Mas é possível afirmar com certeza a respeito da existência dessa gente anterior aos açorianos.

História e cultura

Biguaçu encontra-se muito ligada à capital Florianópolis, seja na questão da oferta de empregos e na educação, onde muitos moradores trabalham e estudam na capital, tornando o município característico de cidade-dormitório, ou mesmo na questão cultural, onde a cultura de base açoriana-catarinense encontra forte expressão.

Economia

A economia do município até a década de 1970 dependia principalmente da agricultura, pecuária e pesca. Atualmente, a indústria responde pela maior parte dos empregos gerados no município, junto com um comércio em expansão. O município dispõe de boas áreas para instalação de plantas industriais e conta com acesso ao gás natural, pois possui uma distribuidora da Petrobrás. A agricultura também ainda é representativa. A pesca atualmente é insignificante, ainda praticada a nível apenas artesanal, embora o município tenha um potencial hidráulico considerável. Os principais produtos industriais do município derivam da indústria de plástico e alimentícia. A agricultura produz principalmente plantas para jardinagem, com destaque para a produção de gramas e palmeiras, além da produção de verduras para o comércio regional.

Educação

O município de Biguaçu conta com boa rede de ensino fundamental e médio (antiga primária e secundária). A prefeitura tem por hábito garantir o transporte escolar no interior do município e praticamente 100% das crianças em idade escolar estão na escola. O município nos últimos anos teve uma boa expansão da oferta de cursos profissionalizantes destinado ao mercado de trabalho regional. Possui ainda um campus universitário, com mais de uma dezena de cursos tradicionais, mantido pela UNIVALI, particular. Também conta com a proximidade das universidades públicas na capital Florianópolis, como a UDESC (estadual) e UFSC (federal), esta última entre as 5 maiores do país.

Meio ambiente

O município fica em uma região onde a mata atlântica predomina, embora hoje esteja restrita a morros ou pequenas areas residuais. O descaso com o meio ambiente é grande, assim como no resto do território brasileiro. O município ainda não possui rede de tratamento de esgotos, que faz com que praticamente todos os rios e o litoral marítimo estejam poluídos. Não há reservas ambientais ou plano de prevenção à ocupação desordenada do solo. Devido a forte especulação imobiliária, espaços verdes diminuem rapidamente. O município também deve encontrar dificuldades no abastecimento de água potável no futuro próximo, já que praticamente toda água consumida no município vem de outras cidades, aliando-se ao alto crescimento populacional da região, embora o potencial hidríco seja considerável, faltando apenas sua proteção e uso racional.