Florianópolis - SC
Florianópolis - SC

Capital Florianópolis - SC                             
Area (Km²)   95 346,181
Números de Municípios 293
População estimada em 2010       6,248,436

 

 
Caçador 1 - SC Caçador 2 - SC Caçador 3 - SC Caçador 4 - SC

Caçador - SC

Caçador - SC                                               Santa Catarina - SC                                  
População 70.762
Caçador é um município brasileiro do estado de Santa Catarina.

Localizada na Foz do Rio Caçador no Rio do Peixe, Caçador detém o título de capital industrial do meio-oeste catarinense e é o maior produtor de tomates por hectare do Brasil. Com uma área de 981,9km², altitude média de 1000 metros, Caçador tem uma população estimada de 70.762 habitantes.

História

Da pré-história ao descobrimento

Vestígios encontrados na região remetem a elementos das antigas tradições Taquara, Umbu e Humaitá. Entre estes encontram-se artefatos de pedra como facas, raspadores, pontas de projéteis, furadores, zoólitos (estátuas de pedra assumindo formas animais) e até mesmo estatuetas antropomórficas.

No século XVI, quando da chegada dos primeiros portugueses ao litoral de Santa Catarina, a região próxima do entroncamento dos rios Caçador e do Peixe era habitada por nativos das etnias Kaingang e Xokleng.

Os primeiros moradores

Na história do município encontra-se registrado como primeiro morador Francisco Correia de Mello. Este veio de Campos Novos e estabeleceu-se com sua família às margens do Rio Caçador em 1881. A Francisco Correia de Mello seguiu-se em 1887 Pedro Ribeiro e, quatro anos mais tarde, Tomaz Gonçalves Padilha, que chegou até o Rio 15 de Novembro. O nome Caçador, de acordo com a tradição local, foi dado por Correia de Mello, em referência à abundância de caça na região.

Conflito de fronteiras e a estrada de ferro

A atual região oeste dos estados de Santa Catarina e do Paraná era reivindicada pela Argentina, supostamente com base no Tratado de Madrid, de 1750. O presidente estadounidense Grover Cleveland, escolhido para arbitrar a questão, deu laudo inteiramente favorável ao Brasil em 5 de fevereiro de 1895, após analisar valiosa documentação reunida por José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.

Delimitada a fronteira Brasil - Argentina no Tratado de 1898, o governo da então jovem República do Brasil, para firmar a posse de suas novas terras, leva a cabo os planos para uma ligacão ferroviária entre os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul e ao Uruguay pelo interior. Os estados brasileiros de Santa Catarina e do Paraná passaram a disputar a região, cujo coração ficava na atual Caçador.

Em 1910, quando da chegada das turmas de construção do trecho Porto União - Marcelino Ramos da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande do Sul à região, a divisa entre os estados de Santa Catarina e do Paraná passava pelo Rio do Peixe. Rio Caçador era o nome da estação ferroviária original, localizada no km 133 deste trecho à margem esquerda do Rio do Peixe, em território catarinense.

Com a chegada dos trilhos e o tráfego dos primeiros trens, a região de Caçador foi integrada em definitivo ao resto do território brasileiro. Não tardou e, em um movimento de imigração interna, novos moradores, vindos de cidades vizinhas e, principalmente, das colônias italianas do Rio Grande do Sul, passaram a intensificar a colonização de Caçador. Estes novos moradores tinham em sua maioria ascendência européia, com uma dominância de italianos, alemães e eslavos, mas havia também muitos sírio-libaneses.

Um número significante de pessoas, integrantes das turmas de construção da estrada de ferro, não retornou a suas regiões de origem, vindo a estabelecer-se também nas incipientes aglomerações urbanas ao redor das estações ao longo da ferrovia em toda a região.

Nesta época Caçador fazia parte do distrito de Rio das Antas, município de Campos Novos. Rio das Antas era um núcleo de colonização planejado pela Brazil Railway Company, para o qual vieram muitos colonos teuto-brasileiros oriundos do litoral de Santa Catarina.

A Guerra do Contestado e outros acontecimentos

Junto aos trilhos chegaram à região também a ganância e a exploração.

A contestação da doação das terras ao longo da estrada-de-ferro, feita, às custas dos agricultores que as habitavam, pelo jovem governo republicano do Brasil aos madeireiros e à Southern Brazil Lumber & Colonization Company, junto à pífia presença do poder público na região e ao fanatismo religioso, resultou num conflito armado conhecido como Guerra do Contestado. Entre outubro de 1912 a agosto de 1916, a guerra civil destruiu quase tudo o que havia de mais ou menos organizado na região, com incêndios de lugarejos inteiros.

Em janeiro de 1914, durante a campanha do Contestado, o exército brasileiro construiu, junto à estação ferroviária homônima, o Campo de Aviacão de Rio Caçador. Este serviria de apoio aos voos de reconhecimento sobre as posições dos revoltosos e na regulação do tiro da Artilharia. Os aviadores eram Ricardo Kirk, 1º Tenente e comandante da operação, e Ernesto Darioli, aviador civil.

Com o acordo de limites entre Santa Catarina e o Paraná em 1917, teve início um período de paz e a população pode reiniciar suas atividades. Em 1918, foi instalada a primeira agência postal, onde já existia um posto de rendas estaduais. Somente em 9 de janeiro de 1923 é que Rio Caçador foi elevado a distrito, ainda subordinado ao município de Campos Novos. As terras à direita do Rio do Peixe, pertencentes ao município de Porto União, foram elevadas em 1928 a distrito, com o nome de Santelmo. Neste mesmo ano o casal Dante Mosconi fundou o Ginásio Aurora, dirigido pelos irmãos maristas até meados dos anos 1990. Em 1929 foi aberta a estrada Caçador - Curitibanos, impulsionando ainda mais o desenvolvimento da região, com a chegada de mais imigrantes e a instalação de novas serrarias.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1932, Rio Caçador passou a figurar como distrito do município de Curitibanos. Em consequência do crescimento da população e de sua pujança econômica, Rio Caçador foi elevado a município em 22 de fevereiro de 1934, com território desmembrado de Campos Novos, Cruzeiro, Curitibanos e Porto União.

A instalação do município deu-se, com a posse do primeiro prefeito, Senhor Dr. Leônidas Coelho de Souza, em 25 de março de 1934. Ainda no mesmo ano, em 25 de maio, foram criados os distritos de Caçador (sede municipal), São Luis, Taquara Verde, Rio Prêto e Rio das Antas. A comarda de Caçador foi criada pelo decreto estadual 698, de 5 de novembro de 1934 e instalada em 26 de janeiro de 1935, sendo o seu primeiro Juiz de Direito o Dr. Osmundo Wanderley da Nóbrega.

O brasão do município foi instituído em 1966 e representa a etnia, origem, cultura e tradição da população caçadorense.

Geografia

Com uma área de 981,9km², Caçador está localizada no meio-oeste de Santa Catarina no Alto-Vale do Rio do Peixe, vindo a integrar a microrregião do Contestado. O território do município limita-se com outros 7 (Água Doce, Calmon, Lebon Régis, Macieira, Rio das Antas, Videira e General Carneiro, no Estado do Paraná). A altitude média é 1.000 metros, estando o ponto culminante do território municipal a 1390 metros de altitude (Elevação de Rio Verde) e o ponto mais baixo a 780 metros acima do nível do mar.

Hidrografia

O território do município é rico em recursos hidrominerais, situando-se em sua totalidade sobre o Aquífero Guarani. É banhado por vários rios, dentre os principais o que deu o nome à cidade, Caçador, e os do Peixe, Castelhano, XV de Novembro, Jangada, Preto, São Pedro e Veado.

Clima

A cidade possui clima temperado subtropical úmido (Classificação climática de Köppen-Geiger Cfb). Entre 1977 e 2004 foram registrados temperatura média anual de 16,3°C e precipitação acumulada média anual de 1716mm.

Os verões são quentes e úmidos, com máximas de temperatura e precipitação em janeiro. Os invernos são frios, menos úmidos que os verões, alternando períodos chuvosos (mês de junho) e secos (meses de julho e agosto). O frio é mais intenso durante os meses junho e julho e nos períodos secos do inverno, o clima, apesar do frio, é considerado agradável. Nas últimas duas semanas do mês de maio ocorre o fenômeno conhecido popularmente como "Veranito de Maio", caracterizado por repentina elevação das temperaturas em pleno outono.

Em Caçador registrou-se oficialmente a menor temperatura já ocorrida no território brasileiro: -14,0°C, em 11 de junho de 1952. Outros registros oficiais incluem temperaturas mínimas extremas de -11,0°C e de -10,4°C, respectivamente de 10 de julho de 1952 e de 06 de agosto de 1963. Geadas ocorrem frequentemente de abril a setembro, com 1271 ocorrências registradas entre 1942 e 2006. A queda de neve é mais rara, com apenas 20 ocorrências registradas durante o mesmo período.

Economia

A economia de Caçador desenvolveu-se através da extração e industrialização da madeira, num primeiro momento retirada das florestas centenárias de araucária e imbuia da região e, posteriormente, quando da exaustão destas, de reflorestamentos com pinus elliottii. A agricultura emerge como nova opção de geração de divisas, com destaque para os hortifrutigranjeiros. Caçador já foi considerada a maior produtora de tomates do sul do Brasil.

Cultura

Pontos turísticos

A Ponte Antonio Bortolon, uma ponte de madeira coberta, é uma das principais atrações turísticas de Caçador. Construída originalmente em 1924, esta foi a primeira ponte sobre o Rio do Peixe, vindo a ligar o então distrito de Rio Caçador com o Santelmo, que na época encontrava-se subordinado ao município de Porto União.

Antonio Bortolon, que era nativo de Solagna, uma comuna italiana da região do Vêneto, província de Vicenza, projetou a Ponte à imagem da Ponte degli Alpini, localizada em Bassano del Grappa, outra comuna da mesma região na Itália. Bortolon idealizou o projeto da ponte apenas em suas memórias. Apesar de ter apenas 35 metros de comprimento, o equivalente à metade da Ponte degli Alpini, o resultado assemelha-se muito com a ponte original, segundo a associação Veneti nel Monde. Em 1983, durante as enchentes que assolaram o município de junho e julho, a ponte original foi destruída. Contudo, no início dos anos 1990, uma réplica foi reconstruída no mesmo local. Atualmente, a mesma é utilizada por pedestres e veículos na travessia do Rio do Peixe.

A Praça vereador Rodolfo Nickel, localizada na vila Paraíso e popularmente conhecida como Praça da Imbúia, abriga o Monumento à Madeira: um tronco de uma imbuia milenar derrubada na região.

Outras atrações turísticas de Caçador são os parques florestais da Reserva Florestal do Contestado (maior santuário ecológico da região do meio-oeste) e a Floresta Nacional de Caçador, de respectivamente 800 e 710 hectares. A Floresta Nacional de Caçador possui o maior reflorestamento de araucária do mundo, contribuindo de forma decisiva para a preservação desta espécie única, símbolo de toda a região.

Museus e espaços culturais

O Museu Histórico e Antropológico da Região do Contestado é dedicado ao resgate e à preservação da memória da Guerra do Contestado. Em seu acervo encontra-se uma extensa documentação sobre o conflito e sobre o movimento messiânico do início do século XX na Região do Contestado.

Além disso, o museu detém em seu acervo artefatos arqueológico-antropológicos que remontam à história dos habitantes pré-históricos e da época do descobrimento na Região do Contestado. O edifício que abriga o museu é uma réplica da primeira da estação ferroviária, Rio Caçador, de 1910, construído em maior parte de madeira. Junto ao edífico do museu encontra-se uma composição de dois vagões de madeira e uma locomotiva a vapor Baldwin do ano de 1907.