Natal - RN
Natal - RN

Capital Natal - RN                              
Area (Km²)   52 796,791
Números de Municípios 167
População estimada em 2010 3 168 027

 

 
Caicó 1 - RN Caicó 2 - RN Caicó 3 - RN Caicó 4 - RN

Caicó - RN

Caicó - RN                                                       Rio Grande do Norte - RN                                  
População 63.147
Caicó é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte.

Principal cidade da região do Seridó, localiza-se na Microrregião do Seridó Ocidental, na região centro-sul do estado distando 256 km da capital estadual, Natal.

Nascido na confluência dos rios Seridó e Barra Nova, ocupa uma área de 1.228,574 km², o que equivale a 2,33% da superfície estadual, posicionando-o como o quinto município com maior extensão do Rio Grande do Norte. Com uma altitude média de 151 metros, sua população estimada pelo IBGE em 2011 era de 63 147 habitantes, o que a coloca como a sétima cidade mais populosa do estado, sendo a segunda mais populosa do interior do Rio Grande do Norte, com uma densidade populacional de 51,04 habitantes por km².

Sua atração mais famosa é a Festa de Sant'Ana, realizada no mês de julho, que em 2010 foi tombada como patrimônio imaterial do Brasil pelo IPHAN. Caicó também é lembrada pela sua população religiosa, seus bordados e sua rica culinária típica, além de seu singular carnaval.

Conhecido centro pecuarista e algodoeiro, Caicó apresenta o mais alto índice de desenvolvimento humano do interior e semiárido nordestino, assim como a maior esperança de vida ao nascer de 73,317 anos, alcançando o maior índice de longevidade do Rio Grande do Norte: 0,805, considerado "elevado" pela ONU. O município ainda se destaca por possuir o menor índice de exclusão social do estado.

História

Contam-se várias lendas sobre a origem da cidade, porém todas citam um vaqueiro português que, à procura de água para o seu gado durante uma seca, se deparou com um touro bravio de feições míticas. Aflito diante de tal situação, o vaqueiro fez uma promessa a Sant'Ana: se conseguisse escapar do touro e encontrar água, construiria uma capela em sua homenagem. Então, nesse momento, o touro dasapareceu e logo o vaqueiro encontrou um poço, o qual, segundo relatos, nunca secou. Diante disso, contou o episódio aos amigos, que iniciaram a construção da capela, marco inicial do povoamento de Caicó.

Início do povoamento

Por volta da metade do século XVII, com o fim das invasões neerlandesas, iniciou-se o processo de interiorização da capitania do Rio Grande. Nessa época, a Coroa Portuguesa começou a conceder porções de terras a particulares, chamadas de sesmarias e destinadas à pecuária, uma vez que tal atividade não era permitida nas terras do litoral; ou então destinadas exclusivamente ao plantio de cana-de-açúcar. Essa ideia também agradou à Igreja Católica, pois serviria para a propagação do "povo de Deus na terra".

Resistência da População Indígena

A atitude da Coroa Portuguesa foi interpretada pelos indígenas como uma usurpação. Então, deu-se início a uma sangrenta guerra dos índios tapuias tarairius contra a presença luso-brasileira. Esses conflitos ficaram conhecidos como guerra dos Bárbaros.

Com o objetivo de proporcionar maior segurança aos luso-brasileiros, foi construída a casa-forte do Cuó a mando do Coronel Antônio de Albuquerque Câmara, que, posteriormente, receberia reforços de Domingos Jorge Velho, bandeirante conhecido por naver destruído o quilombo dos Palmares.

Ciclo do Algodão

No final do século XIX, popularizou-se o plantio de algodão nas terras do Seridó, que até então era dominado pela pecuária. Caicó, assim como toda a região do Seridó, se orgulhava em produzir uma das melhores variedades de algodão do mundo, o algodão Mocó ou algodão Seridó, variedade que resistia às secas e fornecia capuchos de fibras longas, resistentes, de brancura única e poucas sementes.
O algodão seridoense abastecia inicialmente as indústrias têxteis da Inglaterra, que, até esse momento, se abastecia do algodão estadunidense, mas que, por motivo da independência estadunidense, teve seu fornecimento bloqueado. Foi, então, preciso buscar matéria-prima em outros locais. Quando a Inglaterra retomou o comércio com os Estados Unidos, o algodão seridoense ficou em segundo plano, mas a produção já tinha destino substitutivo: as indústrias paulistas que começavam a surgir.
Em 1905, o algodão superou o status do açúcar no estado, que, com o crescimento econômico, fez surgir políticos seridoenses, assim como uma elite agrária local. Ao assegurarem o controle político do estado, buscou-se realizar as melhorias adequadas para o cultivo e escoamento do algodão. Em 1924, foi criado o departamento de Agricultura, posteriormente o Serviço Estadual do Algodão (1924) e o Serviço de Classificação do Algodão (1927), além de outras melhorias como a construção de rodovias ligando o Seridó à capital.
Mas em meados de 1918, os paulistas começam a investir em sua produção própria, após uma geada que destruiu as plantações de café e gradativamente deixaram de comprar o algodão seridoense; aliados a falta de investimentos em tecnologia, secas prolongadas e a inserção de pragas, como o bicudo que dizimou vastos algodoais, iniciou-se então a decadência do ciclo algodoeiro. Mesmo com essa situação, foi em Caicó no ano de 1984, que se deu o primeiro registro da colheita de algodão de fibra colorida,dando a partir daí todo o processo de melhoramento genético dessa linhagem.

Período Republicano

Caicó foi uma das cidades pioneiras a lutar pela instalação da república, sendo a primeira do Rio Grande do Norte a possuir um núcleo republicano organizado chamado "Centro Republicano Seridoense", fundado em 1886 por Janúncio da Nóbrega. Com o período republicano e a cotonicultura, a cidade viveu um momento de rápido desenvolvimento com o deslocamento do centro político e econômico do estado da região litorânea (açúcar-têxtil) para o Seridó (algodão-pecuária), e com isso derrubar a Oligarquia Maranhão, que dominava o estado desde 1892. Quando em 1923, o então presidente Artur Bernardes conduziu o caicoense José Augusto para o governo do estado, abrindo caminho para outros seridoenses, como Juvenal Lamartine e Dinarte Mariz. Nessa época, Caicó viveu uma fase de intenso desenvolvimento e modernização, com a melhoria de sua infraestrutura, através da construção da ponte sobre o rio Seridó, instalação de telégrafo e rede telefônica, asfaltamento de rodovias, construção de aeródromo, "Grande Hotel", cinemas, hospital e colégios. Através de políticas higienistas sanitárias, se deu a ampliação da rede de abastecimento e saneamento, além da criação de um código de uso e ocupação do solo urbano.

Geografia

Clima

Clima semiárido com excedente hídrico pequeno ou nulo, com sua estação chuvosa atrasando-se para outono sujeito a regime irregular de chuvas, o que acontece entre os meses de fevereiro a maio, com média de precipitação pluviométrica anual de 716,6 mm. O município apresenta grande amplitude térmica, com média de 27,5°C, mínima de 18,0°C e máxima de 33,3°C. Em um ano a cidade apresenta 2700 horas de insolação, com umidade média anual de 59%.

Formação Vegetal

Conhecida como Caatinga Subdesértica do Seridó- vegetação mais seca do estado e segunda mais árida da Caatinga, caracterizada pela vegetação baixa, de cactus espinhentos e agressivos, agarrados ao solo, de arbustos espaçados, com capins de permeio e manchas desnudas, em terra procedente do Arqueano, muito erodida e áspera; Sendo as espécies predominantes: a jurema, o pinhão bravo, o pereiro, o xiquexique, a faveleira, a malva rasteira, o angico, o pau-branco, o marmeleiro e o mata pasto.
Segundo o Plano Nacional de Combate à Desertificação, Caicó está inserida em área susceptível à desertificação em categoria "muito grave".

Solo

O solo predominante é o bruno não cálcico vértico, de fertilidade natural alta, textura arenosa/argilosa e média/argilosa, moderadamente drenado com relevo suave e ondulado.
Como ocorrências minerais, encontram-se: barita, calcário, talco, ouro e tungstênio; também há existência de recursos minerais associados como rochas ornamentais, especialmente: migmatitos, brita, rocha dimensionada, mármore e paragnaisse.

Relevo

Sua altitude varia de cem a duzentos metros. A sede do município se localiza na depressão Sertaneja, terrenos baixos situados entre as partes altas do planalto da Borborema e da chapada do Apodi. As serras e picos mais altos do município pertencem ao planalto da Borborema.

O ponto mais elevado do município é a Serra de São Bernardo, com 638 metros de altitude.

Hidrografia
Vista do leito do Rio Seridó pela zona urbana de Caicó

O município encontra-se totalmente inserido nos domínios da bacia hidrográfica Piranhas-Açu, sendo banhado pelos seguintes rios:

    Rio Seridó, que nasce na Serra dos Cariris, na Paraíba;
    Rio Sabugi, que nasce na Serra dos Teixeiras, na Paraíba;
    Rio Barra Nova, que nasce na Serra do Equador, em Parelhas, no RN.

Ainda podemos encontrar uma concentração de pequenas lagoas e açudes de pequeno e grande porte, sendo o mais importante o Açude Itans com capacidade para 81.750.000 m³ de água. Todos os cursos d'água encontrados no município são de natureza intermitente.

Composição étnica
Composição étnica de Caicó
Cor/raça     Porcentagem
Branca     57 72%
Parda     38 48%
Negra     03 31%
Indígena     0 07%
Amarela     0 02%
Sem declaração     0 40%

Os fortes traços de influência europeia da população caicoense fez com que os habitantes recebessem a alcunha de galegos, que era utilizado para designar as pessoas mais claras que vieram majoritariamente de norte de Portugal e da fronteira galega na Espanha, principalmente da região do vale do Minho, seguida das regiões de Açores, Estremadura, Douro e Trás-os-Montes, onde eram chamados de patrões-marinheiros, em referência a viagem marítima de Portugal ao Brasil; mas Caicó ainda foi povoada por migrantes de Pernambuco (Goiana e Igarassu) e Paraíba.}}</ref> No entanto acredita-se que parte da população branca tenha ascendência judia oriunda da Península Ibérica, chamados de Cristãos-Novos, pois foram forçados a converção ao catolicismo, sendo isso ainda motivo de estudos. A presença neerlandesa no município se limitou a expedições científicas em busca de minérios, onde não deixaram descendentes. A presença de negros africanos, apesar de limitada, é muito forte culturalmente na região, onde fundaram a Irmandade dos Negros do Rosário. Em Caicó, os escravos foram libertados antes mesmo da lei Áurea. Os indígenas nativos da região eram originários das famílias tarairiú (janduí) e cariri, onde se dividiam em cinco grupos: canindés, Jenipapos, sucurus, cariris e pegas. Atualmente, não existem mais índios puros na região, pois foram exterminados durante a ocupação branca por guerras e doenças, restando apenas mestiços. Caicó é muito conhecida por sua população apresentar basicamente três sobrenomes: Araújo, Medeiros e Dantas.

Religião

A grande maioria da população se declara Católica Apostólica Romana, contabilizando 90,48% dos habitantes. 2,72% da população é evangélica de origem pentecostal, que seguem a Igreja Assembléia de Deus (1,44%), Igreja Universal do Reino de Deus (0,44%), Igreja Congregação Cristã do Brasil (0,37%), Igreja Deus é Amor (0,22%), entre outras. Seguida dos evangélicos de missão - 1,19%, que se dividem em Presbiterianos (0,59%), Batista (0,56%) e Adventistas (0,04%). Entre as minorias temos a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (0,29%), Testemunhas de Jeová (0,27%), Igreja Messiânica Mundial (0,26%), Budismo (0,19%), Candomblé (0,02%) e Islamismo (0,02%). Ainda 3,96% dos caicoenses declaram não seguir nenhuma religião.

Educação

Ensino Básico

Caicó conta com 105 unidades escolares, sendo que 27 pertencem à esfera estadual, 47 são de domínio municipal e 31 são particulares. Dessas, 68 se localizam na zona urbana e 37 na zona rural. Quanto ao tipo de ensino, 51 dispõem de ensino pré-escolar, 75 dispõem de ensino fundamental e na cidade existem 9 escolas com ensino médio.
As escolas que possuem Ensino Médio são as seguintes:

    Centro Educacional José Augusto - CEJA (Ensino Público - Governo Estadual)
    Centro Educacional Integrado do Seridó (Instituição Privada)
    Colégio Diocesano Seridoense (Ensino Privado - Diocese de Caicó)
    Colégio Universitário de Caicó - CUCA (Instituição Privada)
    Educandário Santa Teresinha (Ensino Privado - Congregação das Filhas do Amor Divino)
    Escola Estadual Antônio Aladim (Ensino Público - Governo Estadual)
    Escola Estadual Profª Calpúrnia Caldas de Amorim - EECCAM (Ensino Público - Governo Estadual)
    Grupo Escolar Senador Guerra (Ensino Público Educação de Jovens e Adultos - Governo Estadual)
    Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RN (Ensino Técnico Público - Governo Federal)

Ensino Superior

A cidade conta com 5 estabelecimentos de ensino superior presencial e várias de ensino à distância.

Os principais centros de ensino superior presencial são:

    UFRN- Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CERES-Centro Regional de Ensino Superior do Seridó) - dispõe dos cursos de Ciências Contabéis, Direito, Geografia, História, Matemática, Pedagogia e Sistemas de Informação.
    UERN- Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Campus do Seridó) - conta com os cursos de Enfermagem, Filosofia e Odontologia.
    IFRN - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte - oferece a graduação de licenciatura em Física.
    Faculdade Católica Santa Teresinha - oferece os cursos de Administração,Ciências Contabéis, Serviço Social e Turismo.
    Faculdade de Teologia Cardeal Eugênio Sales.

Turismo

Caicó faz parte do polo turístico do Seridó ou Roteiro Seridó. Além de integrar o Guia Turístico de Produção Associada, publicado pelo Ministério do Turismo, devido a identificação e registro de produtos com representatividade cultural e identidade regional.

Ecoturismo

No município, acontecem práticas de ecoturismo. Em suas serras, grutas e rios, podem-se realizar rapel, escalada, rali, mountain bike, acampamentos, trilhas e trekking em locais como a serra de São Bernardo, serra da Formiga, gruta da Caridade e pedra da Baleia localizada no rio Seridó.

Turismo Cultural

No turismo cultural, destaca-se a Irmandade dos Negros do Rosário, criada em 1771, onde pode ser vistas seus rituais que utilizam lanças e danças tribais ao som de tambores seculares. Ainda pode-se visitar o Museu do Seridó, onde pode se conhecer a história do povo seridoense, seu modo de vida e seus ciclos econômicos, além de exposição de artistas locais. Outro destaque é o artesanato local, onde Caicó é conhecida como "Terra do bordado", pela excelência de seus trabalhos manuais, herança da colonização portuguesa. A culinária é outro atrativo da cidade, que se destaca nacionalmente pela qualidade de sua carne-de-sol, queijo de manteiga e de coalho, manteiga-de-garrafa, assim como seus doces tipícos: filhós, chouriço e biscoitos caseiros. Além da nova vedete: a produção de cachaças.

Turismo de Eventos

Dentre o turismo de eventos destaca-se o carnaval, que já figura entre os maiores do nordeste. Onde o principal atrativo é o "bloco Ala Ursa" ou "bloco do Magão", que arrasta multidões pelas ruas da cidade ao som de frevo e marchinhas, acompanhada de bonecos gigantes, burrinhas e papangus. A sexta-feira destaca-se pela saída do bloco das Virgens, onde os homens vão trajados com roupas femininas e as mulheres vão vestidas de homem. À noite, o carnaval acontece no complexo turístico Ilha de Santana, onde os blocos formados pelos jovens, geralmente com nomes irreverentes celebram o carnaval ao som de músicas atuais de axé e forró-elétrico. Um detalhe que deixa o carnaval caicoense único é a confecção de caixotes, onde os blocos conservam as bebidas que serão consumidas durante a festa. Na Ilha de Santana forma-se um corredor onde os blocos "rivalizam" a atenção para seu caixote, onde há até a existência de caixotes motorizados.

Turismo Religioso

Caicó é um destino potencial de turismo religioso, a Festa de Sant'Ana realiza na última semana de julho, já é o maior evento socio-religioso do Rio Grande do Norte. A festa é uma mistura de sagrado e profano que atrai turistas de todos os cantos do RN. A Festa de Sant'Ana é se tornou Patrimônio Imaterial do Brasil pelo IPHAN, sendo a primeira manifestação cultural a sofrer tombamento no estado e a quarta manifestação a se enquadrar como patrimônio imaterial no Brasil.

Bordado seridoense

A arte do bordado chegou ao Brasil através dos colonizadores portugueses por volta do século XVII e século XVIII, sendo apenas um dos passatempos favoritos das esposas dos exploradores. A região do Seridó, principalmente Caicó e Timbaúba dos Batistas, são as cidades que mais refletem essa tradição lusa, apresentando características semelhantes ao bordado típico da Ilha da Madeira, em Portugal; tais indícios podem ser comprovados através das estampas atuais, flores e pístilos, que remetem a padrões próprios da Ilha da Madeira. Porém as mulheres seridoenses deram características bem nordestinas a essa arte, utilizando de cores vivas, representando a fauna e a flora locais. O bordado é realizado diretamente sobre o tecido, geralmente utilizando linho, percal ou polialgodão. Originalmente, este artesanato era produzido à mão, apenas com agulha e linha colorida. Mas com a industrialização, as bordadeiras já se utilizam de máquinas de costura.

Feriados Municipais

    Última quinta-feira do mês de julho - data em homenagem à padroeira da cidade Sant'Ana.
    16 de dezembro - data da emancipação política do município de Caicó.