Rio de Janeiro - RJ
Rio de Janeiro - RJ

Capital                        Rio de Janeiro - RJ                          
Area (Km²)   43 696,054
Números de Municípios 92
População estimada em 2010 15 993 583

 

 
Cabo Frio 1 - RJ Cabo Frio 2 - RJ Cabo Frio 3 - RJ Cabo Frio 4 - RJ

Cabo Frio - RJ

Cabo Frio - RJ                     Rio de Janeiro - RJ           
População 186 222
Cabo Frio é um município brasileiro do estado do Rio de Janeiro. Localiza-se a 22º52'46" de latitude sul e 42º01'07" de longitude oeste, a uma altitude de quatro metros acima do nível do mar. Faz divisa com Armação dos Búzios a leste, Arraial do Cabo a sul, Araruama e São Pedro da Aldeia a oeste, e Casimiro de Abreu e Silva Jardim a norte. É o sétimo município mais antigo da Federação brasileira. É o principal município da Região dos Lagos. Possui 186.222 habitantes, segundo censo realizada pelo IBGE em 2010. É muito conhecido por suas atrações turísticas, como a Praia do Forte, a principal praia e pelas festas.

História

A ocupação humana das terras onde viria se estabelecer o município de Cabo Frio teve início há mais ou menos seis mil anos, quando um pequeno bando nômade de famílias chegou em canoas pelo mar e acampou no Morro dos Índios até então pequena ilha rochosa na atual barra da Lagoa de Araruama e ponto litorâneo extremo da margem de restinga do Canal do Itajuru.

Conforme as evidências arqueológicas encontradas nesse "sambaquí", que mais tarde seria abandonado pelo esgotamento de recursos para sobrevivência, o grupo nômade dispunha de tecnologia rudimentar e baseava-se numa economia de coleta, pesca e caça, onde os moluscos representavam quase todo o resultado do esforço para fins de alimentação e adorno. Há mais de 1.500 anos, os guerreiros indígenas tupinambás começaram a conquista do litoral da região.

Os restos arqueológicos das aldeias Tupinambás estudados na região de Cabo Frio (Três Vendas em Araruama e Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia em São Pedro da Aldeia) e também nos acampamentos de pesca (Praia Grande no Arraial do Cabo) evidenciam uma adaptação ecológica mais eficaz que a dos bandos nômades pioneiros. O profundo conhecimento biológico da paisagem regional, em particular a Lagoa de Araruama e dos mares costeiros riquíssimos em recursos naturais, fez com que o pescado se tornasse a base alimentar dos tupinambás, reforçada pela captura de crustáceos, gastrópodes e moluscos.

A vegetação de restingas e mangues da orla marítima ofereciam excepcionais possibilidades de coleta de recursos silvestres, o que levou ainda a horticultura de várias espécies botânicas, destacando-se a forte presença da mandioca no cardápio e ao domínio das técnicas de cerâmica. A caça, atividade masculina exclusiva, era muito importante como complemento de proteínas na dieta alimentar dos grupos locais.

Os índios tupinambás batizaram a região de Cabo Frio como Gecay, único tempero da cozinha, feito com sal grosso cristalizado. Nos terrenos onde viria se estabelecer a Município de Cabo Frio, foram encontrados quatro possíveis sítios tupinambás. Os dois primeiros, o Morro dos Índios e a Duna Boavista, apresentavam indícios de serem acampamentos de pesca e coleta de moluscos, enquanto o terceiro, a Fonte do Itajuru, próxima do morro de mesmo nome, era a única forma segura de abastecimento de água potável e corrente disponível na restinga.

Na referida elevação junto a fonte, o atual Morro da Guia, acha-se o sítio mais importante da região e um dos mais relevantes do Brasil pré-histórico: o santuário da mitologia tupinambá, formado pelo complexo de pedras sagradas do Itajuru ("bocas de pedra" em tupi-guarani). Sobre estes blocos de granito preto e granulação finíssima, com sulcos e pequenas depressões circulares, os índios contavam histórias do seus heróis feiticeiros que ensinavam as artes de viver e amar a vida. Quando estes heróis civilizadores morriam, transformavam-se em estrelas, até que o sol decidisse enviá-los ao itajuru, sob forma de pedras sagradas, para serem veneradas pela humanidade. Caso fossem quebradas ou roubadas, todos os índios desapareciam da face da terra.

Em 1503, a terceira expedição naval portuguesa para reconhecimento do litoral brasileiro, sofreu um naufrágio em Fernando de Noronha e a frota remanescente se dispersou. Dois navios, sob o comando de Américo Vespúcio, seguiram viagem até a Bahia e depois até Cabo Frio. Junto ao porto da barra de Araruama, os expedicionários construíram e guarneceram com 24 "cristãos" uma fortaleza feitoria para explorar o pau-brasil, abundante na margem continental da lagoa.

Em 1512, este estabelecimento comercial-militar pioneiro, que efetivou a posse portuguesa da "nova terra descoberta" e deu início a conquista no continente americano, e que foi destruído pelos índios tupinambás em função das "muitas desordens e desavenças que entre eles houve" em 1526. Os franceses traficavam pau-brasil e outras mercadorias com os índios, na costa brasileira, desde 1504. Durante as três primeiras décadas do século XVI, praticamente restringiram sua atuação ao litoral da região nordeste.

A partir de 1540, por causa do rigoroso policiamento naval português nestes mares, os franceses exploraram o litoral e levantaram os recursos naturais de Cabo Frio. Em 1556, construíram uma fortaleza-feitoria para exploração de pau-brasil, na mesma ilhota utilizada anteriormente pelos portugueses, junto ao porto da barra de Araruama. A "Maison de Pierre" cabofriense ampliou e consolidou o domínio francês no litoral sudeste, iniciado com o Forte Coligny no Rio de Janeiro, um ano antes.

Turismo
Forte de São Mateus

Forte de São Mateus do Cabo Frio

Construído pelos portugueses entre 1616 e 1620 com o objetivo de defender a costa contra franceses, ingleses e holandeses em busca da imensa quantidade de pau-brasil que havia na região. Os canhões utilizados nas batalhas ainda se encontram voltados para o mar, como se estivessem prontos para defender o município de novos ataques.

A casa onde os soldados viviam serve hoje como um espaço para artesãos mostrarem seus trabalhos. Do forte se tem uma completa vista de toda a extensão da praia do Forte até Arraial do Cabo. Do lado oposto à praia, pode-se ver a Ilha do Japonês, local pouco explorado, com pescadores em barcos pequenos e coloridos e embarcações maiores que seguem para alto mar.

Bairro da Passagem

O bairro da Passagem surgiu como um ponto de apoio na travessia para o Canal do Itajuru, e ainda mantém características da época da fundação do município, pois ali surgiram as primeiras construções. As riquezas arquitetônicas e históricas transformaram o local em ponto turístico.

Um belo passeio é caminhar pelas ruas estreitas e ainda com calçamento antigo, para se poder apreciar a beleza das construções antigas, as casas em estilo colonial do século passado, com suas janelinhas baixas, lampiões, todas tombadas pelo Patrimônio Histórico. Algumas destas casas ainda conservam as famosas telhas moldadas nas coxas das escravas grávidas. A Passagem tornou-se uma vila de pescadores, após o núcleo urbano do município ter sido transferido para o Centro.

A Igreja de São Benedito, construída em 1701, faz parte do patrimônio que este bairro abriga. A capelinha foi construída especialmente para os negros, e prima pela simplicidade.

Monumento do Anjo Caído

Localizado no meio do Canal do Itajuru, no bairro do Portinho. O monumento leva este nome por apresentar na coluna que o sustenta uma inclinação, devido ao movimento e força das marés. O Anjo foi esculpido em pedra sobre uma coluna de 9 metros de altura, em homenagem à abertura do Canal Artificial Palmer, no início do século 20.

Cultura

Charitas - Museu e Casa de Cultura José de Dome

No prédio hoje encontra-se o Museu e Casa de Cultura José de Dome. Já foi orfanato, numa época em que crianças eram abandonadas com certa freqüência, havia ai uma roda onde eram colocados esses bebês, e retirados do outro lado, onde recebiam abrigo, alimentação e educação. Serviu também de abrigo durante a Segunda Guerra Mundial.

Construído em 1837, recebeu este nome Charitas (pronuncia-se Cáritas) ou Casa de Caridade e é hoje, um espaço com atividades culturais permanentes. Promove oficinas, seminários e cursos durante todo o ano, além de apresentar espetáculos de teatro, música e dança. Ai se encontra também, em exposição permanente, a obra do artista plástico José de Dome, que viveu longo período em Cabo Frio. Fica na avenida Assunção esquina com a avenida Nilo Peçanha, no Centro da cidade. A visitação é de segunda a sexta-feira, das 8 às 20h; sábado, domingo e feriados, das 14 às 20h.