Rio de Janeiro - RJ
Rio de Janeiro - RJ

Capital                        Rio de Janeiro - RJ                          
Area (Km²)   43 696,054
Números de Municípios 92
População estimada em 2010 15 993 583

 

 
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Itaguaí - RJ

Itaguaí - RJ                          Rio de Janeiro - RJ           
População 109 163
Itaguaí é um município brasileiro do estado do Rio de Janeiro, localizado na Microrregião de Itaguaí pertencente a Mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro a 73 km da capital fluminense.

História

Toponímia

Do tupi, Itaguaí seria a junção das palavras (Ita + Guay) que significaria "lago entre pedras" ou ainda uma derivação da palavra Tagoahy, que quer dizer "água amarela". O que comprova esta segunda hipótese foi a existência um aldeamento dos jesuítas, chamado de Taguay, que possuía este nome justamente porque a água captada no local possuía uma tonalidade amarelada.

Primórdios

Itaguaí foi fundada em meados do século XVII, com a migração dos índios da Ilha Jaguaramenon para o Morro da Cabeça Seca, atraídos pelo governo Martim de Sá, que pretendia criar um entreposto na região. Com o tempo, os missionários se mudaram para a Fazenda Santa Cruz e deixaram o povoamento indígena.

A tribo dos Y-tingas se desenvolveu, prosperou e passou a rechaçar a colonização dos jesuítas, o que produziu vários conflitos. Num deles, um pequeno índio de dez anos foi ferido e pego pelos portugueses, sendo batizado com o nome de José Pires Tavares.

Tavares cresceu entre os colonos mas sempre pensou em defender seu povo. Quando fez trinta anos, já casado com uma índia, embarcou rumo a Portugal buscando uma carta de proteção para aldeia Y-tinga junto à Coroa Portuguesa. Foi recebido no Paço Real pela rainha Dona Maria I.

Os colonos, sabendo da alta chance de o indígena conseguir a proteção régia, não perderam tempo: atacaram a aldeia durante sua viagem, não distinguindo sexo ou idade. Os sobreviventes foram amarrados a barcos com furos e lançados ao mar, morrendo todos afogados.

José Tavares retornou de Portugal juntamente com o Conde de Resende tendo como ordem da Rainha D. Maria I que restituísse as terras dos indígenas. José Pires ainda reivindicou a posse efetiva das terras indígenas em 1804, tendo em vista a possível arrematação do Engenho de Taguay localizado dentro das mesmas. Morreu em 1805. O Engenho de Taguay foi arrematado por proprietários, entre eles Antonio Gomes Barroso (primeiro alcaide-mor de Itaguaí). Mesmo com esse fato, os índios ainda permaneceram ali por algum tempo.

Vila de Itaguaí

Após a barbárie, foi fundada pelos colonos a Vila de Itaguaí, que passou a ser uma rota de viagem padrão para os viajantes para São Paulo e para as Minas Gerais, o chamado "Caminho do Ouro" devido ao terreno pouco acidentado e transitável durante todo o ano, com poucos alagadiços e com bastante água para os animais. Por volta de 1725, iniciou-se a construção deste caminho que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo com o objetivo de encurtar a viagem exaustiva e perigosa que era feita por mar de Paraty ao porto do Rio, pois habitavam na Ilha Grande uma grande quantidade de corsários que assaltavam as embarcações que por ali passavam, o que quase sempre representava prejuízos à Coroa Portuguesa.

No século XVIII, na famosa viagem onde seria dado o Grito de Independência do Brasil, Dom Pedro I parou na vila para pernoitar, alimentar e saciar seus cavalos. Onde hoje chama-se Praça Dom Luis Guanela, próximo a Igreja Matriz de São Francisco Xavier.

Em 1844, foi fundado o distrito de Seropédica cujo nome deriva da sericultura - criação do bicho da seda. Foi o início da primeira Fábrica de Tecidos de Seda do Brasil.

Cidade de Itaguaí

Depois da Independência do Brasil, Itaguaí desenvolveu a sua agricultura, sendo, em tempos diversos, o maior produtor de milho, quiabo, goiaba, laranja e banana do Brasil.

Recebeu inicialmente o uso de trabalho escravo de negros, que foi gradualmente substituído por mão de obra estrangeira, mais especificamente de japoneses, em 1838 e, em menor número, de alemães. Ainda hoje, é uma das maiores colônias japonesas do estado do Rio de Janeiro.

Em 1938, começou a ser construída a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro no distrito de Seropédica, utilizando as instalações de uma antiga fábrica de seda.

Até a década de 1950, a má admistração pública gerou diversos problemas sociais, resultando em surtos recorrentes de malária, cólera e outras doenças erradicadas das cidades vizinhas. Tal fato trouxe má fama à cidade, que ganhou o apelido de "Município Abandonado".

A partir da década de 1960, a cidade começou a se industrializar com a construção de fábricas como a Ingá Mercantil (zinco), a Nuclep (material termonuclear) e de outras empresas no Distrito Industrial de Santa Cruz.

Em 1960, o distrito de Paracambi foi emancipado da cidade e, em 1995, o distrito de Seropédica também se separou. Muitas partes do município também foram perdidas para Mangaratiba e para a cidade do Rio de Janeiro.

Itaguaí hoje

Itaguaí, hoje, é um município em grande crescimento. A Companhia Siderúrgica do Atlântico, que fica em Santa Cruz, bairro do Rio vizinho à cidade, promete dinamizar a economia local, além do Porto de Itaguaí. Novos portos, privados, estão por se instalar na cidade, além de estaleiros civil e militar. A Marinha brasileira pretende construir submarinos em Itaguaí, inclusive atômico, em parceria com o governo francês e estabelecer uma base naval.

Na história recente, são destaques os problemas advindos da falida fábrica de zinco Ingá Mercantil, cujos dejetos químicos abandonados causam graves problemas ecológicos. A compra do terreno da Ingá Mercantil pela siderúrgica Usiminas promete dar fim a este passivo ambiental.

Geografia

O município estende-se por uma área de 278 km² e faz parte da região da Baixada Fluminense, na região da Costa Verde, estando a uma altitude de treze metros. Segundo a contagem da população realizada em 2007 pelo IBGE, possui 95 356 habitantes.

Economia

Dentre as principais atividades econômicas estão a industrial, comercial e a de serviços ligados ao Porto de Itaguaí. Mesmo assim a maioria da população da cidade carece de qualificação técnica necessária para aproveitar os empregos possivelmente gerados no futuro.

Indústria

O município de Itaguaí possui, oficialmente, pouco menos de 100 mil habitantes e tem experimentado um crescimento econômico com a ascensão do Porto de Itaguaí e de empreendimentos na vizinhança, o que aumentou o número de moradores, podendo superar a marca de 115 mil. Desde a inauguração do então Porto de Sepetiba (em 2005 o nome foi alterado) a localização de Itaguaí adquiriu um caráter estratégico, sobretudo para aquelas atividades voltadas diretamente para a exportação. Recente trabalho do Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro apontou Itaguaí como o terceiro município mais bem localizado do estado, justamente por ofertar uma série de vantagens locacionais às empresas lá instaladas.

Itaguaí reúne aspectos favoráveis para a produção industrial de alimentos, para a fabricação de produtos eletrônicos, cimento, peças de amianto, material elétrico leve, mobiliário e produtos químicos. A instalação do porto também vem abrindo novas possibilidades na área de serviços portuários.

Em Itaguaí, encontra-se instalada também a Nuclep, única empresa nacional capaz de produzir componentes de grande porte e alta tecnologia para geração de energia nuclear. A própria Nuclep justifica sua localização em Itaguaí pelas excelentes condições logísticas oferecidas: próxima à Rio-Santos, cortada pelo ramal ferroviário de Mangaratiba e com acesso ao mar tanto através de seu próprio porto como pelo Porto de Itaguaí.