Rio de Janeiro - RJ
Rio de Janeiro - RJ

Capital                        Rio de Janeiro - RJ                          
Area (Km²)   43 696,054
Números de Municípios 92
População estimada em 2010 15 993 583

 

 
Mangaratiba 1 - RJ Mangaratiba 2 - RJ Mangaratiba 3 - RJ Mangaratiba 4 - RJ

Mangaratiba - RJ

Mangaratiba - RJ                Rio de Janeiro - RJ           
População 36 311
Mangaratiba é um município brasileiro do estado do Rio de Janeiro, localizado na microrregião de Itaguaí, pertencente à região da Costa Verde, a cem quilômetros da capital fluminense.

História

A ocupação das terras hoje compreendida pelo município de Mangaratiba teve origem ainda no século XVI, por ocasião das desapropriações das capitanias hereditárias. Essas terras pertenciam, então, à Capitania de Santo Amaro, cujo donatário Pero Lopes de Sousa, pouco interessou-se por seus domínios.

O inicio do povoamento de forma mais sistemática aconteceu anos mais tarde, por volta de 1620, quando o novo donatário, Martim de Sá, mandou trazer índios tupiniquins já catequizados de Porto Seguro e estabeleceu, sob a tutela dos jesuítas, aldeamentos, primeiro na Ilha de Marambaia e, depois, no continente, na praia da Ingaíba.

Mangaratiba se tornou freguesia em 16 de janeiro de 1764, porém só conquistou sua independência administrativa em 11 de novembro de 1831, quando foi elevada à categoria de vila com a denominação de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba. Até essa data, Mangaratiba pertencia ao município de Itaguaí, ao qual estava subordinada desde 5 de junho de 1818, quando foi criado o município. Anteriormente, Mangaratiba estava vinculado ao município de Angra dos Reis.

Com o desenvolvimento da economia cafeeira, principalmente na região do Vale do Paraíba, Mangaratiba ganhou um crescente movimento cumprindo seu papel de porto escoador da produção de café. Outra atividade importante, que proporcionou o enriquecimento da região, foi o tráfico de escravos. Dos pontos de desembarque do Sí e da Marambaia eles eram levados para o grande mercado do Rio de Janeiro e para os outros centros urbanos do interior através da íngreme trilha que levava ao Sertão depois de ultrapassar a Serra do Mar.

Do interior de São Paulo e Minas Gerais, afluíram para o seu porto os gêneros a serem exportados, basicamente o café, trazidos nos lombos dos burros guiados pelos tropeiros das mais afastadas regiões da serra acima. Ao retornarem, levavam mercadorias, geralmente artigos de luxo, provenientes do Rio de Janeiro ou do exterior.

A produção de café intensificou–se tanto que as trilhas que desciam a serra eram insuficientes para escoar a produção. Foi necessária a abertura de uma estrada mais larga e com melhores condições de circulação que ligava Mangaratiba a São João do Príncipe (depois São João Marcos). A estrada foi inaugurada em 1857 pelo imperador Dom Pedro II, ficando conhecida, posteriormente, como Estrada Imperial, considerada por muitos historiadores como a primeira estrada de rodagem do Brasil. Mangaratiba era um dos portos escoadores da produção de café do Vale da Paraíba, atendendo a demanda de São João Marcos e adjacências.

A construção da via entre Mangaratiba e a serra trouxe um maior desenvolvimento para a região, bem como consolidou uma aristocracia local que empreendeu a construção de diversos edifícios como suas residências urbanas, igrejas, um teatro, armazéns e trapiches.

Da época do maior progresso de Mangaratiba, algumas personalidades mereceram maior atenção por parte dos historiadores. O primeiro foi o comendador Joaquim José de Sousa Breves, abastado fazendeiro, dono dos trapiches do Saí e da Marambaia, proprietário de mais de 6 000 escravos e vinte fazendas, chegando a produzir mais de um por cento da produção brasileira de café. Outra personalidade importante da história local foi o tenente–coronel Luís Fernandes Monteiro, o Barão do Saí, proprietário das fazendas Batatal e Praia Grande e de um rico solar no Largo da Matriz, hoje totalmente reformado e de outra casa assobrada na Rua Direita, atualmente Rua Coronel Moreira da Silva, que o Instituto Estadual de Patrimônio Cultural denominou Solar do Barão do Saí.

Porém, o período de riqueza e dinamismo durou pouco. O fim do período de expansão aconteceu pela conjugação de dois fatores. Primeiramente, a conclusão, em 1870, da Estrada de Ferro D. Pedro II, ligando Rio de Janeiro e São Paulo, que possibilitou o escoamento da produção de café do Vale do Paraíba diretamente para o Rio de Janeiro. Em segundo lugar, a proibição do tráfico escravo e, posteriormente, a abolição da escravatura, desorganizaram a economia da região baseada na exploração do latifúndio e fortemente dependente da mão de obra escrava.

O município de Mangaratiba entrou em decadência, chegando a ser extinto em 8 de maio de 1892, apesar de ter sido restabelecido alguns meses mais tarde, em 17 de dezembro do mesmo ano. Os portos de Mangaratiba e do Saí ficaram desertos e inúmeras edificações foram abandonadas, tais como os grandes solares, armazéns, o teatro, conforme atestam as ruínas hoje existentes no Saco de Cima e na Praia do Saí. A estagnação econômica foi total, sendo Mangaratiba um exemplo de cidade nascida de uma rota comercial que não tinha bases produtivas próprias que permitissem uma autonomia. A atividade era apenas reflexo da produção agrícola existente na região serrana e pereceu diante do surgimento de novas alternativas produtivas e comerciais.

A estagnação da economia e da vida em Mangaratiba persistiu até 1914, quando foi concluído o ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil que integrou o município no sistema ferroviário do Rio de Janeiro. Posteriormente, ocorreu um ligeiro progresso econômico propiciado pela exportação de bananas e pela construção de residências de veraneio ao longo da linha férrea ou concentradas em alguns núcleos urbanos. Na década de 1940, foram criados grandes loteamentos na orla marítima, como Muriqui, Praia do Saco, Itacuruçá e outros. Em 1942, foi aprovado o primeiro código de obras para o município.

A construção da rodovia Rio–Santos, parte da BR – 101, nos anos 1970, trouxe uma nova fase para o município, com uma grande valorização do solo urbano, bem como um incremento da construção de residências de final de semana e férias. A nova estrada trouxe, ainda, diversas atividades ligadas ao turismo, com um processo de ocupação de áreas, até então, inacessíveis e desertas.

Na década de 1990, a MRS Logística encampou a parte da Estrada de Ferro Central do Brasil pertencente a Itaguaí e Mangaratiba. A estrada de ferro passou desde então a ser de uso exclusivo da mineradora MBR (hoje incorporada pela Companhia Vale), que usa a estrada como escoamento da produção do minério produzido em Minas Gerais, desembarcando na Ilha de Guaíba.

Mangaratiba hoje

Atualmente, Mangaratiba é um município residencial, possuindo grandes condomínios e alguns hotéis e resorts de luxo e um incipiente comércio local. A cidade possui enorme potencial turístico, com localização privilegiada entre municípios ilustres como Angra dos Reis, Parati e Itaguaí, porém sua vocação turística não é plenamente explorada. O turismo é explorado apenas pelos grandes hotéis instalados na região e por poucas empresas de turismo. Os locais mais explorados são os distritos de Itacuruçá, Muriqui e Conceição de Jacareí.

O município não possui indústrias, universidades e não conta com redes de lojas de grandes marcas, embora possua potencial para isso. Por não ter um comércio amplo como os municípios vizinhos, grande parte da sua população economicamente ativa tem como maiores empregadores a prefeitura e a companhia Vale. Os resorts da região também empregam parcela da população, embora a grande parte da mão de obra qualificada para esses empreendimentos venha, principalmente, da capital e de municípios vizinhos. Por estar próxima a Itaguaí e à capital Rio de Janeiro, sua população movimenta o comércio dessas cidades, especialmente em Itaguaí e nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

Praticamente todo o município possui ruas com calçamento, energia elétrica, água encanada, telefone fixo e telefone móvel das cinco maiores operadoras (Oi, Claro, Vivo, Tim e Nextel). O código de área (DDD) de Mangaratiba é o 21. Somente algumas áreas do município contam com internet banda larga ADSL: Centro, Muriqui e Itacuruçá. Existe também uma prestadora de internet via rádio, porém com abrangência limitada devido à região de relevo acidentado de Mangaratiba. O município não conta com serviço de tevê à cabo e ainda não oferece sinal de tevê digital.

Mangaratiba possui alguns patrimônios históricos, como a Igreja Matriz, o Solar Barão do Sahy e o Centro Cultural, localizados no centro do município. Na região conhecida como Acampamento ou Saco de Cima, é possível observar as ruínas da época áurea da cidade, além do Bebedouro utilizado por D. Pedro II, a Estrada Imperial e o Pomar da Casa Branca. Mais adiante é possível acessar a antiga cidade de São João Marcos, hoje distrito de Rio Claro. O município possui suas matas bem conservadas, embora em alguns pontos como Muriqui e próximo ao centro, a mata tenha dado lugar à invasões e construções irregulares. Suas inúmeras belezas naturais como praias, ilhas e cachoeiras atraem principalmente no verão, moradores de cidades vizinhas da Baixada Fluminense e Zona Oeste do Rio, em busca de descanso e lazer. O município é o principal portal de entrada para a Ilha Grande (Angra dos Reis).

Geografia

Localiza-se a 22º57'35" de latitude sul, 44º02'26" de longitude oeste, a uma altitude de dezoito metros. De acordo com a contagem da população de 2009, realizada pelo IBGE, a cidade possui 32 533 habitantes. O território municipal estende-se por 360,71 km². O ponto mais alto da cidade encontra-se no Pico das Três Orelhas, com 1 035 metros de altitude.

A temperatura média é de 25°C.

O município conta com mais de 34 praias ao longo de sua faixa litorânea acessível pela rodovia Rio-Santos.