Campo Grande - MS
Campo Grande - MS

Capital Campo Grande - MS                       
Area (Km²)   357 124,962
Números de Municípios 79
População estimada em 2010        2 449 341

 

 
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Bataguassu - MS

Bataguassu - MS                                                Mato Grosso do Sul - MS                                  
População 19.596
Bataguassu é um município brasileiro do estado de Mato Grosso do Sul.

Ocupa terras que pertenciam a Cia. Viação São Paulo - Mato Grosso, de Jan Antoni Bata, adquiridas em 1921. Teve seus fundamentos baseados num projeto de colonização implantado em 1953 por Wladimir Kultk, procurador da companhia.

História

Presume-se que a primeira penetração no território de Bataguassu, tenha sido efetuada pelos espanhóis, que terminaram abandonando a região, posteriormente devassada pela família Barbosa, que ali se fixou.

Outros pioneiros demandaram o local subindo o rio Pardo, dentre eles Manoel Cecílio de Lima, mais tarde empreendedor da abertura de uma estrada boiadeira paralela àquele rio, ligando suas terras ao local onde se localiza o Porto XV de Novembro. Pelo rio Ivinhema, também penetraram outros desbravadores, salientando-se Domingos Barbosa Martins, mais conhecido como Gato Preto: , que se tornou posseiro de grande área.

Em 1932, a Companhia Viação São Paulo-Mato Grosso, firma comercial de Jan Antoni Bata, fundador da Cidade, adquiriu uma gleba, destinada à pecuária e colonização. A firma também explorou a navegação fluvial nos rios Paraná, Ivinhema, Brilhante, Pardo e Anhanduí. Desenvolveu a criação de gado e tentou a colonização em vários pontos, fixando-se finalmente, em 1941, onde se ergue a Cidade.

Ampliando seu plano, a Companhia procedeu ao loteamento de uma área nas proximidades de Bataguassu, destinados à venda ou arrendamento. Com facilidades para aquisição por parte de pequenos lavradores, o empreendimento provocou a migração de muitas famílias, procedentes de São Paulo e do Paraná. O que levou a novos loteamentos, em vários pontos, todos com resultados positivos.

O topônimo teve origem em dois idiomas e pode ser assim decomposto: Bata, do tcheco-eslovaco sobrenome do fundador da Cidade; Guaçu, do tupi-guarani água grande, sendo este último ainda, denominação de um ribeirão próximo à Cidade.

Formação Administrativa

Elevado à categoria de município e distrito com denominação de Bataguassu , pela Lei Estadual nº 683, de 11-12-1953,desmembrado de Rio Brilhante. Sede no Povoado de Bataguassu. Constituído de 4 Distritos: Bataguassu, Anaurilândia, Bataiporã e Ivinhema. Instalado em 16-05-1954.

Pela Lei Estadual nº 1189, de 20-12-1958, o Distrito de Ivinhema foi extinto sendo seu território anexado ao Município de Nova Andradina.

Em divisão territorial datada de 1-07-1960, o município é constituído de 3 Distritos: Bataguassu, Anaurilândia e Bataiporã.

Pela Lei Estadual nº 1948, de 11-11-1963, desmembra do Município de Bataguassu

o Distrito de Anaurilândia. Elevado à categoria de município. Pela Lei Estadual nº 1967, de 12-11-1963, desmembra do Município de Bataguassu, o Distrito de Bataiporã. Elevado à categoria de município.

Geografia física

Solos

Predomínio de Latossolo Vermelho-escuro de textura média e baixa fertilidade natural, associado nas porções mais movimentadas do relevo a Podzólicos Vermelho-Escuro e Vermelho-Amarelo, com textura arenosa/média e baixa fertilidade natural, às margens do rio Paraná são encontrados solos diversos, com predominância dos Hidromórficos, com características físicas e químicos muito variável.

Clima e temperatura

As temperaturas médias do mês mais frio fica entre 15°C e 20°C. O período seco estende-se de 4 a 5 meses. A precipitação anual varia de 1.200 a 1.500mm.

Relevo e altitude

Com declividades suaves com no máximo 5°, apresenta modelados tabulares entremeados de áreas planas em quase toda a extensão do município. Em uma larga faixa proximidades do Rio Paraná encontram-se modelados de acumulação.

Vegetação

Predomina no município a pastagem plantada. Há em menores proporções, Savana Parque (campo sujo), contatos Savana/Floresta Estacional e Várzeas.

Hidrografia

O Município de Bataguassu está inserido na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná, especificamente na Sub-bacia do Rio Pardo, a qual drena para o Alto Rio Paraná.

A região do Alto Paraná, com uma declividade média de 0,18 m km (-1), apresenta uma ampla planície alagável que se estende por cerca de 480 km, especialmente em sua margem direita. Cerca de metade dessa várzea foi subtraída do sistema pelo reservatório da Usina Hidrelétrica Sérgio Motta.

A Sub-bacia do Rio Pardo drena uma área de 39.533,64 km2.

O Rio Pardo é formado de grandes afluentes; nasce a 118,528 km ao norte de Campo Grande, com o nome de Capim Branco, e denomina-se Pardo depois da confluência do Pinhé. Recebe as águas do Rio Botas, que tem a sua nascente a 23,705 km ao norte da cidade, tem um curso de 130,38 km e foi margeado pela estrada de ferro. Também, recebe as águas do Rio Anhanduí que é seu principal afluente. A partir daí, percorre como divisor municipal de Bataguassu e Santa Rita do Pardo, desaguando no Rio Paraná, reservatório da Usina Hidrelétrica Sérgio Motta.

História do Município

“A obra de Manoel da Costa Lima foi epopéia digna de herói grego; somente poderia realizá-la quem tivesse a mística dos obstinados, que é marca dos grandes homens. E foi tão importante para o Estado como fora para o Brasil à abertura dos nossos portos D. João VI”

Os Detalhes da Epopéia

Chegada á Porto XV de Novembro

Em 1900 Manoel da Costa Lima (ou Major Cecílio, título de honra recebido por ser Major da guarda nacional), saiu de sua fazenda Ponte Nova para explorar sertão adentro rumo à fronteira com o Estado de São Paulo. Não conseguindo atingir o objetivo, organizou posteriormente uma segunda expedição partindo da mesma fazenda Ponte Nova no dia 9 de maio de 1900.

Essa expedição atingiu as margens do rio Paraná na barra do Rio Pardo, onde foi fundado o distrito de Porto XV de Novembro. Em julho de 1904, o engenheiro agrimensor Emílio Rivasseau fazia o levantamento e a medição da estrada recentemente aberta por Manoel da Costa Lima. A estrada ligava o Arraial de Santo Antônio de Campo Grande ao Porto XV de Novembro, com uma distância de 54 léguas e 5.103 metros, cujas medidas constavam no Memorial descritivo assinado em agosto de 1904. Em seguida foi essa estrada recebida oficialmente pelo governador do Estado de Mato Grosso, através de seu representante, previamente designado, agrimensor José Paes de Faria. O objetivo da obra era a ligação do comércio com o Estado de São Paulo. Com essas providências, o sertanista Manoel da Costa Lima, já colocava o Porto XV de Novembro ao alcance de qualquer cidadão mato-grossense.

Ao chegar no Porto XV de Novembro, Manoel da Costa Lima se depara com um novo impasse: Como atravessar os 2 km de rio? Não para as pessoas, que poderiam ser facilmente acomodadas em canoas e batelões, mas sim a travessia do gado, das boiadas, vacadas, tropas de burros, cavalos, entre outros. Sua capacidade, sua inteligência e suas forças eram agora seriamente desafiadas por esse vital problema. Chegou a conclusão de que teria que ser feita uma “balsa curral” grande, para transportar muitos animais de uma só vez. Para rebocar a balsa curral, seria necessário uma lancha grande, um vapor. Surge então outro impasse: Onde encontrá-los? Nesta época, não existia nesta região esse tipo de navegação. Mas como o problema exigia solução, Major Cecílio imediatamente seguiu para a cidade de Concepción, no Paraguai, onde vira, de outra feita, vapores que seriam adequados ao serviço.

Compra do vapor paraguaio “Carmelita”

No fim de 1904, efetuava-se em Concepción do Paraguai, a compra do vapor denominado “Carmelita”. Para essa compra, Major Cecílio levou uma boiada com 200 rezes, que foram vendidas no Paraguai. Com o produto da venda do gado, pagou o barco e mandou confeccionar, na mesma cidade, um carretão grande, ultra-resistente, além de quatro rodas, também super reforçadas com chapas de ferro. Em abril de 1905, o vapor Carmelita, depois de navegar pelo rio Paraguai acima, foi ancorar no rio Aquidauana, na foz do ribeirão Taquarussu. No período entre a compra do vapor e a sua chegada à foz do ribeirão, Major Cecílio, volta à fazenda Ponte Nova para preparar a grande comitiva que o transportaria por via terrestre.

Tomou emprestado alguns bois de carro, no total de duzentos, e também carros de bois e carretas, que foram convenientemente preparados para a viagem. Reuniu uns 20 peões carreiros. Abasteceu a comitiva de víveres, ferramentas e de diversos utensílios que lhe pudessem ser úteis naquela expedição. No dia aprazado, estava ele na barranca do rio Aquidauana para iniciar a etapa mais difícil de seu maravilhoso projeto. Tudo aquilo que ali estava no rio, barco a vapor e carretão, teria que ser posto ao seco, na terra firme. Eram toneladas a serem arrastadas para fora d’água. Não existia guindaste e nem sequer uma rampa apropriada. Dispunha somente da força física dos bois e, acima de tudo, da engenhosidade, da inteligência daquele sertanista intrépido. Retirado da embarcação, o carretão foi desmontado quase que totalmente. Retirou-se o mastro, a caldeira, chaminé, enfim, tudo o que dela fosse removível. Por fim, acomodados nos carros e nas carretas. Depois de muito tempo de trabalho árduo, foi o casco do navio içado do rio Aquidauana e colocado sobre o carretão. Começou então a caminhada rumo à serra e depois sucessivamente, “serra a cima serra a baixo”. Caminhada penosa, exigindo não só dedicação daqueles bravos trabalhadores, mas muito sacrifício. Aquele casco de vapor em cima do carretão era presa fácil do terreno mole, dos brejos e dos areais existentes na rústica estrada.

A viagem decorria lenta e morosa. Quando aquele monstro de quatro rodas atolava no brejo ou na areia, havia que ser levantado com todo aquele peso em cima. De uma forma ou de outra o serviço era feito e, o foi por muitas e muitas vezes. Quando o pesado veículo era levantado, colocava-se madeira branca por baixo do mesmo, que muitas vezes também não resistia, atolando-se sob as toneladas de peso. Quando isso ocorria a operação era repetida, tantas vezes quantas se tornassem necessárias. Difícil era atravessar um brejo, onde a comitiva esteve cerca de 15 dias em um só acampamento. Vários problemas surgiram. Toda arrumação do carro era feita de correias torcidas; as tiradeiras, uma vez molhadas, com as constantes chuvas, apodreciam e partiam-se sendo substituídas por material novo, feito na hora. Nas subidas o freio era constituído de pedras ou pedaços de madeira resistente colocados atrás das rodas do pesado veículo.

Para as descidas da serra, córregos e nos baixados, o gênio criativo do bandeirante entrou em ação, e o tipo de freio certo foi engenhado. Vinte e cinco juntas de 50 bois alinhados, puxando para a frente o carretão, e ligado no carretão na sua traseira, por uma “fieira” de 6 juntas de 12 bois. Ligado, ou arrastado por esta “fieira”, uma grande tora de madeira; esta e as 6 juntas de bois não permitiam que o carretão disparasse nas descidas ou ladeiras. E quando necessitasse parar o pesado veículo, bastava cercar pela frente a fieira de 6 juntas. Do ponto de partida, na margem esquerda do Rio Aquidauana, subindo e descendo a serra de Maracaju até o arraial, ou vila de Campo Grande, mais de sessenta dias foram gastos.


Pela Lei Estadual nº 1109, de 26-12-1963, é criado o Distrito de Porto XV de Novembro e incorporado ao Município de Bataguassu.

Em divisão territorial datada de 1-1-1979, o município é constituído de 2 Distritos: Bataguassu e Porto XV de Novembro.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 15-07-1999.